Em Portugal a TV via hertziana terrestre, por cabo e por satélite devem obedecer às seguintes normas técnicas:
a) Normas PAL (Phase Alternation Line) B e G, formato 4:3, caso o sinal televisivo seja totalmente analógico;
b) Norma D2-MAC (Multiplexed Analogue Component), formato 4:3 ou 16:9, em norma totalmente compatível com o sistema PAL, caso utilizem o formato de ecrã largo e 625 linhas, mas o sinal televisivo não seja totalmente digital;
c) Norma HD-MAC (High Definition Multiplexed Analogue Component), caso o sinal televisivo seja de alta definição, mas não totalmente digital;
d) Normas desenvolvidas por um organismo de normalização europeu reconhecido, caso o sinal televisivo seja totalmente digital, nomeadamente a norma DVB-MPEG2.
O panorama televisivo em Portugal assenta na transmissão via hertziana de 4 canais analógicos em PAL: RTP1, 2:, SIC e TVI.
Em 1998 foi lançada a base para o concurso de uma possível plataforma digital via sinal hertziano usando o DVB na variante terrestre (DVB-T). A 7 de Abril de 2001 foi aberto o concurso cujo prazo de entrega seria 15 de Junho do mesmo ano. Em 17 de Agosto de 2001 atribui-se uma licença a uma sociedade anónima a constituir : PTDP - Plataforma de Televisão Digital Portuguesa, S.A. Posteriormente, em 13 de Março de 2003 procede-se à revogação desta licença porque a "sociedade a constituir" que ganhou a licença nada fez nem pareceu nada interessada no assunto.
Finalmente em Abril de 2009 a PT lançou a TDT na norma DVB-T com compressão em MPEG4/h.264. Tiveram um canal em HD em testes mas rapidamente desapareceu e continuamos a ter só os 4 canais nacionais generalistas. Há uma petição para trazer para a TDT os canais que todos pagamos na conta da factura de energia eléctrica: a RTP Memória e a RTP N. Até nisso são desavergonhados os nossos "pensadores". Estes dois canais TODOS nós pagamos mas estão disponíveis somente para quem possa subscrever serviços de empresas de distribuição de sinal de TV, onde se inclui uma grande empresa dominada pelo Estado português... Pagar duas vezes em Portugal não é algo inédito, é só mais uma das coisas...
Em países como Finlândia, Inglaterra, Espanha e França, só para citar alguns, há plataformas digitais de TV via hertziana a funcionar plenamente desde, pelo menos, o ano 2000... O nosso atraso trouxe algo positivo, a possibilidade de já termos tecnologia preparada para alta definição mas, num país onde investir 100 Euros num receptor preparado para DVB-T faz mossa, o custo a suportar é largamente superior aos países em que a TDT é distribuída em DVB-T MPEG2 pois há receptores a partir dos 30 Euros, ou mais baratos em segunda mão.
Por cabo existe principalmente a distribuição analógica de canais de TV e uma plataforma digital em DVB (na forma adaptada a cabo, DVB-C) montada por um operador de TV por cabo onde o "apelativo" são os canais de subscrição opcional e um pacotes de canais "atractivo" somente disponíveis nesse formato e não em analógico.
Há também um outro operador de cabo, menos representativo, que faz a transmissão de um canal em Alta Definição, sendo necessário comprar um receptor adaptado à norma HDTV desse canal (HD1) e de preferência ter uma TV compatível para disfrutar da qualidade superior de imagem.
Via satélite, salvo erro desde 1999, existe um pacote digital de canais de TV para o mercado português disponível no satélite Hispasat (30º Oeste). É na sua essência o mesmo pacote disponível por cabo (é explorado pela mesma entidade) com algumas diferenças na grelha de canais entre satélite e cabo. No fundo, esse operador utiliza o pacote de canais digitais em DVB-S que fornece via satélite, como fonte para a distribuição que faz na sua rede de cabo. Em 2007 surgiu a TVTel que acabou por ser absorvida pela "pioneira" Zon TVCabo e, em 2008, surge mais concorrência a esta entidade através do MEO do grupo PT que trás a novidade de ter os canais na norma DVB-S mas com compressão em MPEG4.
Como é óbvio, via satélite as opções são muito mais vastas, há muitos mais pacotes de TV digital originários de outros países e em vários satélites, com melhores conteúdos e até mais baratos que aqueles que oficialmente podemos subscrever em Portugal. Embora estejamos na União Europeia, que deveria ser um espaço único para todos os efeitos, neste particular ainda há "proteccionismos" porque alegadamente os direitos de transmissão de certas séries, programas ou eventos musicais/culturais/desportivos, são circunscritos ao país de origem do operador.
É pena mas em Portugal não podemos subscrever oficialmente um pacote digital de TV com origem em Espanha, França, Reino Unido, etc.
Tendo em atenção estes factos, durante muitos anos estivemos sujeitos via satélite a um monopólio ao qual não podíamos escapar e em que o operador a seu "bel prazer" fazia-se pagar principescamente por um serviço de qualidade medíocre: usava uma largura de banda demasiado curta para os canais todos que "atafulha" em poucos "repetidores". Em finais de 2004 início de 2005, finalmente, lançou um serviço decente de EPG (Electronic Program Guide) e em 2006 surgiram canais de rádio na sua oferta. Para o olhar menos atento até parece algo "positivo" mas se tivermos em conta que a esmagadora maioria das plataformas digitais de TV Europeias quando arrancou já tinha esses serviços, estavam muito atrasados.
Desde 2008 com a entrada do MEO no "jogo" as coisas não mudaram muito de figura, não se pode chamar monopólio porque há concorrência mas, quem conhece a palavra "oligopólio", fica esclarecido. Mudaram as moscas, na "base" onda as moscas assentam são iguais, os "originais" separaram-se do grupo PT que logo de seguida montou um "esquema" para IPTV e Satélite com os mesmos defeitos e vícios dos "originais" com um ligeiro "upgrade" tecnológico!
É uma "velha escola": espremer o máximo que se conseguir oferecendo o mínimo possível de serviço para a empresa ou o "grupo" poder apresentar vários milhões de Euros de resultados.
TV Analógica
A TV no formato analógico teve e tem no mundo três grandes formatos de distribuição de imagem e som, quer por via hertziana terrestre, cabo ou satélite. O formato MAC foi o de longe menos implementado pelo que não o considero como um "grande" formato!
Esses formatos são:
- PAL (Phase Alternation Line) nas suas variantes B, D, G ou K (o mais comum por todo o mundo), I (Reino Unido, Irlanda, Macau, Hong Kong, Angola, Lesoto, Namíbia, e África do Sul), M (Brasil e Laos), N ou NC usado na Argentina, Paraguai e Uruguai
- NTSC (National Television System(s) Committee) utilizado nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia e alguns países da América Latina como o México
- SECAM (Séquentiel couleur à mémoire)
- MAC (Multiplexed Analogue Component)
Sistema PAL :
Baseado no QAM (Quadrature Amplitude Modulation), esquema de modulação a 4.43 MHz que trata a informação modificando a amplitude das duas "carrier waves". Têm normalmente formato de uma sinusóide que ficam fora de fase 90º pelo que lhes chamam "quadrature carriers" e daí o nome do esquema de modulação.
O formato PAL tem 625 linhas por imagem (frame) das quais 576 são visíveis e as restantes usadas para outras informações tais como teletexto, informação de sincronia, etc; e com uma taxa de "frames" para gerar uma imagem por segundo igual a 50 imagens interlaçadas ou 25 imagens não interlaçadas no formato B, G, H, I, e N.
Em paises que utilizavam o SECAM e/ou passaram de NTSC para PAL em convenções muito perto do NTSC, como por exemplo o Brasil temos : 525 linhas, 29.97 imagens por segundo sistema M ; ou para a variante N e NC com as 625 linhas e 25 imagens por segundo mas com uma QAM mais perto da "carrier" típica do NTSC, os 3.58MHz ; existe também na maioria dos TV's recentes o modo PAL60 que permite compatibilizar as imagens originárias de um sistema NTSC para um modo PAL adaptado. Embora não sendo capaz de receber e demonstrar no ecrã imagens NTSC "puras", consegue compatibilizar a "fonte" NTSC para ter uma "saída" PAL na TV.
Sistema NTSC :
É um sistema que foi desenvolvido em 1940 e estabelecido nos Estados Unidos pela "Federal Communications Commission".
Comparativamente com o sistema PAL, o NTSC também é baseado no CAM mas tem um esquema de modulação a 3.58 MHz, 525 linhas por imagem (frame) das quais são visíveis 480 e as restantes usadas para outras informações tais como teletexto, informação de sincronia, etc; originalmente para gerar uma imagem por segundo usavam-se 30 frames nos tempos da TV a preto e branco, sendo depois passado a 29.97 frames com a adição de uma "sub-carrier" ou sub portadora de video a cores às transmissões, na versão interlaçada que alcança uma imagem a 60 hz, mais perto da "frequência de varrimento" do olho humano : 100 hz
Sistema SECAM :
O SECAM (Séquentiel couleur à mémoire) é um formato que foi desenvolvido em 1956 pela "Compagnie Française de Télévision" mais tarde adquirida pela Thomson. Tal como nos outros sistemas, é compatível com os antecedentes formatos a preto e branco. Adiciona um sinal de côr (Crominância ou C) à portadora monocromática que existia para as imagens a prento e branco (luminância ou Y). Os aparelho antigos mantinham a compatibilidade porque só sabiam interpretar o sinal da luminãncia, os novos conseguiriam reproduzir a côr porque comprendiam tano a luminância como a crominãncia.
Este formato distingue-se do PAl e NTSC pela forma como introduz o elemento côr, usa modulação de frequência para introduzir a crominância. Normalmente em PAL é introduzido em conjunto duas cores básicas o Vermelho e Azul, no SECAM cada sinal é introduzido em separado.
Por razões históricas, o SECAM e algumas variantes desenvolvidas na Europa de Leste, foi popular nos países do antigo bloco comunista por ter sido encarado como uma forma de incompatibilizar as emissões de programas do ocidente com os aparelhos de recepção de TV nos países de Leste. O SECAM nas suas variantes SECAM-L, SECAM B/G e SECAM D/K esteve presente na França e suas ex-colónias; Alemanha de Leste, Grécia e países do médio oriente; Europa de Leste e países da "Commonwealth", respectivamente.
Sistema MAC :
Foi uma tentativa da IBA (Independent Broadcasting Authority) no Reino Unido de criar um formato que se destinava a ser transmitido via satélite para toda a Europa independentemente da escolha que cada país tinha feito para a transmissão via hertziana, PAL, SECAM ou NTSC.
Em termos básicos, para além de ter uma frequência de modulação superior devido ao uso da transmissão via satélite (27MHz) a forma como transporta luminância e crominância era feita de tal forma que permitia posteriormente a "saída" de imagem das seguintes formas:
- RGB ou YPbPr (Video componente ou Red Green Blue);
- S-Video (Y + C ou Luminância + Crominância);
- CVBS (Colour Video Blanking Sync);
que posteriormente poderia ser modulado para UHF e compatibilizado com qualquer aparelho de TV PAL, SECAM ou NTSC.
O D2-MAC foi o formato mais popular em satélite para a distribuição de TV codificada para consumo directo até ao meio dos anos 90, especialmente nos países nórdicos, onde existiram alguns pacotes de canais em D2-Mac que requeriam caixas adicionais para depois serem ligadas via SCART ou modulador UHF a uma normalíssima TV. O D2-Mac é uma implementação do MAC em que se reduz o sinal para uma "carrier" de 5 MHz.
Para informações mais detalhadas sobre estes formatos analógicos, em Inglês, consulte esta página.
TV Digital
Quando se fala em digital vem logo à ideia o código binário, tudo o que é informação transformado nos seus elementos mais puros: o zero e o um.
A TV Digital na Europa é quase exclusivamente sinónimo de transmissões em DVB nas suas formas S(Satélite) C(Cabo) ou T(Terrestre), ou seja, a informação modulada de forma a ser distribuída nas frequências que compõem a transmissão via rede hertziana, cabo, ou satélite.
Existem alguns canais em Alta Definição (HD) disponíveis, e mesmo em Portugal já há algum progresso nos pacotes digitais de TV via satélite que nos colocam um pouco mais perto das realidades de outros países Europeus.
A TV digital, sem entrar em grandes detalhes técnicos sobre as formas como funciona, trás uma enorme vantagem sobre a analógica: mais conteúdos na mesma "largura de banda". Em linguagem corrente, é o mesmo que dizer a um canalizador que num tubo de duas polegadas de diâmetro conseguimos fazer passar um caudal de água maior do que anteriormente! Assim se explica "simplesmente" o que é a largura de banda e dá para perceber que embora se possa manter estática, os métodos de compressão que se utilizam permitem fazer passar "mais água" no mesmo "tubo" ;)
Voltando à TV e deixando a água ;) no espaço de largura de banda que se ocupa com a transmissão de um canal analógico pode-se acomodar em digital vários canais, sendo o número dependente da compressão e da qualidade de imagem que o operador decidir ter.
Em satélite esta possibilidade foi uma "lufada" de ar fresco porque os satélites durante a sua vida útil têm sempre a mesma capacidade de largura de banda calculada pelo número de "repetidores" ou "transponders" que têm. Satélites construídos com 20 ou 30 repetidores para canais analógicos passaram a poder transmitir muitos mais canais, rentabilizar os seus custos de operação e exploração com mais clientes potenciais para o mesmo equipamento, ou mesmo oferecer novos serviços de dados para empresas ou particulares.
Norma DVB
O sistema DVB, embora possa aparentar ser simples, é na sua "génese" de fácil compreensão mas requer grandes conhecimentos técnicos sobre os procedimentos e equipamentos para a sua correcta implementação em todas as vertentes.
De modo "simplista" em DVB pegamos em várias fontes de áudio e video que passam por um "compressor" em MPEG2 e colocam imagens e sons no "reino do digital" :). Todas essas fontes "pistas" de áudio e video acumuladas são chamadas de PES (Packetized Elementary Stream) e vão ser posteriormente correctamente separadas individualmente - em vários canais por exemplo - graças às informações constantes no PSI (Program Specific Information). O conjunto de PES e PSI forma a TS (Transport Stream) e, enquanto nada de novo temos no PES porque não é mais do que o de juntar várias fontes de video e áudio, no PSI temos algumas adições interessantes versus a TV Analógica onde, como dados, temos quase única e exclusivamente o teletexto e mais do que isso só com sistemas de encriptação que são quase sempre dependentes de uma ligação via Scart à TV e não são considerados uma parte "modular" dos sistemas de difusão de TV.
O PSI é no fundo a "informação de serviço" e contém, entre outras coisas:
- PAT (Program Association Table) guarda a informação sobre todos os programas presentes no TS;
- PMT (Program Map Table) guarda a informação de cada PID associado a cada programa presente no TS;
- BAT (Bouquet Association Table) onde se indica qual a identificação de "bouquet de serviço" dos dados que foram "compressos" no PES;
- SDT (Service Description Table) onde se indica os nomes e parâmetros associados a um determinado "stream" em MPEG;
- EIT (Event Information Table) indica as datas e tempos de começo e/ou fim de determinados eventos num programa;
- RST (Running Status Table) indica o estado de um determinado evento;
- ST (Stuffing Table) invalida dados antigos;
- TDT (Time and Date Tables) dá informação acerca da data presente e hora, usado pelos aparelhos de recepção para acertar o seu relógio interno, por exemplo;
- TOT (Time Offset tables) dá informação sobre a hora local.
- NIT (Network Information Table) é opcional, trás mais algumas informações sobre a "rede" onde se enquadra o TS, tal como "nome do serviço", frequências, etc;
- CAT (Conditional Access Table) também é opcional, e usada quando o TS é codificado. É onde vêm os dados de codificação do TS que permitem fazer o controlo de acesso, normalmente via um cartão no formato ISO do tipo "smartcard", que vão permitir ao aparelho de recepção em conjunto com o cartão, validar a legalidade da subscrição e responder de forma correcta de maneira a que áudio e video sejam processados pelo aparelho de recepção;
- EPG (Electronic Program Guide) contém todas as indicações e informações acerca dos vários canais que um TS pode conter e associa-os a cada um quando são sintonizados.
Finalizando esta parte, porque o intuito não é dar uma descrição aprofundada sobre o DVB porque seria fastidioso, eu não teria a capacidade para tal e ocuparia muito mais que uma página para se aflorar os aspectos técnicos; podem ler mais algumas coisas sobre a TV Digital e sobre HDTV na próximas página.
Em resumo, na TV Digital na norma DVB - excluindo a difusão em HDTV - a qualidade de imagem e som pode ser igual ao que estamos habituados a ter nos DVD's se os operadores decidirem usar resoluções típicas de um DVD (para PAL 720 x 576) e um "bitrate" decente, de modo a evitar que as "cenas" com muito movimento tenham "quadradinhos" ou "pixelizem" como se costuma dizer.
Como em função da resolução e do "bitrate" se tem mais ou menos ocupação da largura de banda, e como esta é limitada na transmissão por qualquer dos meios, alguns operadores optam por literalmente atafulhar vários canais num TS a ser distribuido num "repetidor" de satélite ou num canal de FI (Frequência Intermédia) em distribuição por Cabo/Terrestre. Assim sendo, quem perde é o cliente porque em todos os canais o compromisso, para baixo, em termos de resolução e "bitrate" trás sempre qualidade de imagem inferior.
De salientar que, em digital, por muito que se possa ter um nível de sinal baixo (pelo menos até 45%), desde que o equipamento com esse nível tenha uma qualidade de sinal entre 90 e 100% a imagem é sempre constante e de nitidez superior. Em analógico se tiver falta de sinal na sua localização geográfica versus o retransmissor, ou uma má orientação da antena, implica sempre qualidade diminuta de imagem com os efeitos de "fantasma", "chuva", etc.